domingo, 3 de fevereiro de 2013

Doença Celíaca


A Doença Celíaca é uma doença autoimune, com forte condição hereditária, na qual os indivíduos por ela afetados apresentam uma intolerância permanente ao glúten - termo utilizado para descrever frações proteicas encontradas no trigo, centeio, cevada, aveia e em seus derivados. 



Caracterizada por atrofia total ou subtotal da mucosa do intestino delgado proximal e consequente má absorção de alimentos, constitui-se numa enfermidade multifatorial, envolvendo tanto componentes genéticos, como ambientais no seu desenvolvimento. 

Mas, para que a doença se expresse, também é necessária
a presença de fatores imunológicos

No entanto, ela não atinge apenas o trato digestório.
Pode afetar potencialmente qualquer órgão 
(Os principais sintomas estão descritos abaixo). 
Sua eclosão e o aparecimento dos primeiros sintomas podem ocorrer em qualquer idade, geralmente entre o primeiro e terceiro ano de vida, e variar entre indivíduos, inclusive no mesmo indivíduo em diferentes fases da doença,
o que dificulta o diagnóstico. 
Alguns casos só são descobertos na vida adulta,
por isso é bom prestar atenção nos sintomas! 


A doença celíaca pode apresentar-se de quatro formas: 

Clássica: Aparece logo nos primeiros anos de vida, com sintomas como diarreia ou constipação crônica; vômitos; irritabilidade; anorexia, com consequente emagrecimento e déficit de crescimento; anemia ferropriva; dor e distensão abdominal; diminuição do tecido celular subcutâneo e atrofia da musculatura glútea.
Provoca um comprometimento variável do estado nutricional. 

Não clássica: Manifesta-se mais tardiamente e caracteriza-se pela ausência de sintomas digestivos e, quando presentes, estes ocupam um segundo plano. Os pacientes deste grupo podem apresentar manifestações isoladas, como anemia por deficiência de ferro que não responde à ferroterapia oral; constipação intestinal; baixa estatura; hipoplasia do esmalte dentário (seria a formação insuficiente deste esmalte); osteoporose; esterilidade; artralgia ou artrite (dor ou inflamação das articulações, respectivamente); e epilepsia associada à calcificação intracraniana. 

Latente: A forma latente é identificada em pacientes com biopsia jejunal normal, consumindo glúten; diferencia-se das outras formas uma vez que, em outro período de tempo, tais pacientes podem apresentar atrofia subtotal dessas vilosidades intestinais, que revertem à normalidade com a retirada do glúten da dieta

Assintomática: Como não apresenta sintomas, é necessário realizar um rastreamento sorológico de anticorpos. Caso o resultado seja positivo, é feita confirmação pela biópsia intestinal, seguida pela resposta sorológica à dieta isenta de glúten. É comprovada fundamentalmente entre familiares de primeiro grau de pacientes celíacos. 


Alguns pacientes podem ter a doença praticamente sem manifestações clínicas que chamem a atenção para o diagnóstico. 
 E, até que sejam diagnosticadas, estas pessoas tendem a apresentar complicações relacionadas à qualidade de vida. 

O “suposto” diagnóstico da doença é baseado em exame clínico, anamnese detalhada, análise histopatológica do intestino delgado e avaliação dos marcadores séricos. 
Mas o diagnóstico final só pode ser dado após biópsia intestinal, que revela vilosidades atrofiadas, alongamentos de criptas e
aumento dos linfócitos intraepiteliais. 

Como dito anteriormente, o glúten é uma fração proteica, constituído por gliadina e glutenina, que necessita de água para sua formação. 
Ele forma uma espécie de “rede” (isso me lembrou duma grande decepção na aula de Técnica Dietética, que eu imaginava a famosa rede linda, como uma peneira, mas enfim..), que retém gás e proporciona características desejáveis para a massa, como elasticidade e viscosidade. 

O trigo é o único cereal que apresenta gliadina e glutenina em quantidade adequada para formar o glúten. No entanto, essas proteínas podem ainda estar presentes em outros cereais, como cevada, centeio e aveia, nas formas, respectivamente, de hordeína, secalina e avenina


Sabe-se que a Doença Celíaca é desencadeada pela ingestão de cereais que contêm glúten por indivíduos geneticamente predispostos. Mas é, especificamente, a gliadina que inicia o dano na mucosa intestinal que envolve todo o processo imunológico, com a produção de anticorpos. Ocorre, então, atrofia e achatamento das vilosidades do intestino delgado, que leva a uma redução da área disponível para absorção de nutrientes

O quadro de desnutrição é bastante comum nos celíacos, decorrente desta má absorção e também da dificuldade em ingerir alimentos, em função dos sintomas apresentados. 
Nos indivíduos em tratamento, há uma possível melhora desses sintomas, que estimula maior ingestão alimentar, provocando quadros de excesso de peso, já que os alimentos para celíacos normalmente apresentam maior quantidade de lipídios em sua composição. 

O tratamento da doença celíaca é fundamentalmente dietético e consiste em uma dieta isenta de glúten de forma permanente

Portanto, faz-se necessário excluir da dieta os seguintes cereais: trigo, centeio, cevada, malte e aveia, além de todos os produtos que os contenham, que incluem pães, bolos, bolachas, macarrão, coxinhas, pizzas, cervejas, entre TANTOS outros. 
(Aqui tem uma lista com os alimentos permitidos e proibidos.) 


Acontece que estes cereais podem ser adicionados durante o processamento ou o preparo de alimentos na indústria, em domicílio ou nos serviços de alimentação, o que dificulta ainda mais a vida do celíaco. Para garantir uma dieta isenta de glúten, eles devem sempre conhecer os ingredientes que compõem as preparações alimentares e fazer leitura minuciosa dos ingredientes listados nos rótulos de produtos industrializados. 

É comum a adição de trigo na produção de cafés instantâneos; achocolatados em pó; sorvetes; chicletes; sopas e papas, enlatadas e desidratadas; embutidos cárneos; maioneses; molhos de tomate; mostardas; iogurtes; e alimentos infantis. 

A presença de gliadina pode, ainda, ocorrer pela contaminação da farinha de trigo no ambiente, pelos utensílios e pelos manipuladores de alimentos que elaboram produtos com ou sem farinha de trigo. 

O que sobra de opções acaba tornado a dieta restrita e monótona, já que são poucos os produtos com boas características sensoriais e os produtos disponíveis no mercado são normalmente de alto custo. 

Uma preciosa dica para acrescentar no cardápio é a quinoa, que já foi falado aqui


No Brasil, a Lei nº 10.674, obriga os produtos alimentícios comercializados a portarem informação sobre a presença de glúten como medida preventiva e de controle da doença celíaca. Assim, todos os alimentos industrializados deverão conter em seu rótulo, obrigatoriamente,
se "contém glúten" ou "não contém glúten",
conforme o caso. 

Vale ressaltar que o glúten não desaparece quando os alimentos são assados ou cozidos, e por isto a dieta deve ser seguida à risca! 

Segundo a Associação dos Celíacos do Brasil (ACELBRA), os pacientes transgridem a dieta por vários motivos: falta de orientação relativa à doença e ao preparo de alimentos, descrença na quantidade de produtos proibidos, dificuldades financeiras, hábito do consumo de alimentos preparados com farinha de trigo e falta de habilidade culinária para o preparo de alimentos isentos de glúten. 


Aderir a uma dieta isenta de glúten não influencia apenas o consumo de alimentos, mas também a qualidade de vida dos pacientes. 
Atividades simples, como viajar, alimentar-se fora do lar ou relacionar-se com amigos e familiares podem representar problemas para os celíacos e interferir, dessa forma, na sua vida social. 
Por isto, este post tem como objetivo conscientizar o setor de alimentação fora do lar e também pessoas que nunca tinham pensando sobre o assunto, para que se preocupem e façam a inclusão dos celíacos

Em função do tratamento para esta doença ser unicamente dietético 
(o celíaco, basicamente, deve moderar o consumo de gorduras e proteínas e aumentar o consumo de frutas, sucos naturais, verduras e legumes)
 e da dificuldade da exclusão dos cereais que contêm glúten da dieta, é FUNDAMENTAL o acompanhamento de um Nutricionista, pois é ele quem vai fazer a avaliação nutricional e também todas as orientações que se fizerem necessárias. 


Este acompanhamento deve ser constante, para avaliar a adequação da ingestão dietética, presença de transgressões - voluntárias ou não - e sinais de comprometimento nutricional, que são fatores determinantes na qualidade de vida do paciente celíaco. 

Ia colocar uma receitinha, mas como já me estendi demais, 
deixo este link com várias preparações! 




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