quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Adoçantes


Os adoçantes são substitutos naturais ou artificiais do açúcar que conferem sabor doce com menor número de calorias por grama e que apresentam capacidade de adoçar muito em pequenas concentrações. 
Indivíduos mais jovens, geralmente, utilizam adoçantes dietéticos para manutenção do peso; à medida que a idade aumenta, a motivação para utilização de adoçantes dietéticos muda, sendo, então, a perda de peso e a presença de doenças as principais razões.



Existe uma confusão entre os termos, mas o que EU acredito estar correto, depois de tudo que li, é que os 
adoçantes são compostos por substâncias edulcorantes (que adoçam)
 e por um “agente de corpo”, que confere durabilidade, boa aparência e textura ao produto final. 
A maioria dos adoçantes comercializados contém dois ou mais edulcorantes em sua fórmula, e essa mistura visa potencializar as vantagens de cada um e neutralizar as desvantagens, principalmente o sabor residual.

Presentes em todos os adoçantes, os agentes de corpo são espessantes e anticongelantes, inibem a cristalização, ajudam a mascarar o sabor residual e, portanto, melhoram o gosto do produto final. 
Os mais usados são o manitol, sorbitol, xilitol, isomalte, lactose, frutose, maltodextrina, dextrina e açúcar invertido.
 A ingestão de grandes quantidades de manitol ou sorbitol pode ter efeito laxativo.
  

Até a década de 1980, no Brasil, os adoçantes, bem como todos os produtos dietéticos, eram regulamentados como drogas, sendo comercializados em farmácias e consumidos apenas por quem necessitasse controlar a ingestão de sacarose,
 como os diabéticos. 
Entretanto, a partir de 1988, os produtos à base de edulcorantes tiveram seu uso estendido para a população em geral.
Acontece que a maioria das pessoas faz uso indiscriminado destes produtos, sem saber das consequências e, mesmo quem realmente precisa usá-los, o faz sem nenhuma orientação formalizada sobre o assunto.
 É muito importante o acompanhamento de um profissional, no caso, o Nutricionista, para os devidos esclarecimentos, em especial aos que usam devido a uma patologia.


 Os adoçantes dietéticos podem ser comercializados e apresentados sob as formas de tabletes, grânulos, pó ou líquido, sendo esta última a forma preferida da maioria dos consumidores, devido a sua praticidade. 
Porém, o controle que os pacientes têm com a quantidade do adoçante líquido, no momento do uso, reflete mais a preocupação de manter constante a palatabilidade do que seguir as recomendações de quantidade permitida para consumo.

Os tipos de edulcorantes atualmente permitidos para comercialização no Brasil são: sacarina sódica, ciclamato de sódio, aspartame, acessulfame de potássio, sucralose, esteviosídeo, neotame e taumatina.
 Apresento, de forma resumida, as características dos principais.


Sacarina sódica
A substância é 400 vezes mais doce do que o açúcar, quando usada em concentrações muito altas tem sabor amargo e por isso passou a ser associada a outros edulcorantes. Devido às limitadas informações disponíveis quanto aos riscos da sacarina para fetos humanos, o uso deste adoçante deve ser evitado durante a gestação e lactação.

Ciclamato de sódio
É constituído pelo ácido ciclohexilsulfâmico e sais de sódio, cálcio e potássio. Adoça de 30 até 140 vezes mais que o açúcar e não possui calorias. Não tem sabor residual e não sofre alterações com elevação da temperatura. Quando associado à sacarina, o ciclamato atenua seu sabor desagradável. 
Suspeita-se que a substância possa causar efeitos citogenéticos
 sobre linfócitos humanos.

Aspartame
É um adoçante de sabor muito semelhante ao açúcar e ambos apresentam o mesmo valor calórico, porém, tem o poder de adoçar 180-200 maior, 
o que o torna útil como adoçante.
Após sua ingestão, o aspartame se decompõe na luz intestinal 
em metanol, aspartato e fenilalanina
A principal preocupação é em relação ao seu uso por pessoas com fenilcetonúria, tanto doentes como portadores assintomáticos, já que estes devem evitar o consumo de qualquer produto que contenha fenilalanina e, por isso, devem evitar o aspartame, uma vez que um de seus metabólitos é a fenilalanina. 
Também pode provocar crises de enxaqueca em indivíduos sensíveis.

Acessulfame de potássio (Acessulfame – K)
É um sal de potássio sintético, isento de calorias, que adoça 200 vezes mais do que o açúcar e que pode ser levado ao fogo sem perder a doçura. De sabor agradável, no começo da degustação é intensamente doce, sensação que desaparece depressa, mas sem deixar resíduo ruim na boca. É encontrado em muitos produtos alimentares, como chicletes, sucos, gelatinas e pudins, numerosos produtos assados e laticínios.

Sucralose
Seu poder adoçante é 600 vezes maior do que o açúcar, é isenta de calorias e possui grande estabilidade térmica (resiste a temperaturas altas e baixas) e química e seu consumo não prejudica o controle glicêmico de pacientes. Assim como o aspartame, também pode provocar crises de enxaqueca. Não apresenta riscos carcinogênicos, neurológicos ou reprodutivos para os seres humanos.

Esteviosídeo
É um adoçante não calórico, que adoça 300 vezes mais do que o açúcar e tem gosto amargo de ervas no momento da ingestão. Apresenta boa estabilidade em altas ou baixas temperaturas.
A estévia reduz a glicemia pós-prandial de pacientes com diabetes tipo 2. O duplo efeito - anti-hipertensivo e anti-hiperglicêmico - torna a estévia particularmente indicada no tratamento de pacientes obesos com síndrome metabólica. 
Pode ser usada em pacientes com fenilcetonúria e não foram descritas reações alérgicas até o momento.


Com relação aos edulcorantes presentes na fórmula
 (aqui tem uma tabela com as marcas disponíveis no mercado e seus compostos), 
os mais vendidos são a base de aspartame, devido ao sabor e a mistura sacarina e ciclamato, por serem os mais econômicos disponíveis no mercado. 

Eu me limito a apresentar os dados, já que não posso opinar – ODEIO adoçantes! 
Não suporto mesmo o gosto.

Muitas discussões estão surgindo relacionando o consumo dessas substâncias artificiais com possíveis malefícios à saúde humana. A principal questão gira em torno do uso do aspartame, se pode, ou não, ser tóxico ao organismo humano. Esta toxicidade tem relação com o metanol, que, por sua vez, produz formaldeído e ácido fórmico, responsáveis pela acidose e toxicidade ocular 
atribuíveis à ingestão de álcool.

Alguns estudos estão sendo realizados em populações específicas, geralmente abordando os efeitos do consumo de edulcorantes em longo prazo e sua relação com a saúde, tais como o desenvolvimento de câncer, aumento no apetite (esse merece outro post) e ganho de peso, principalmente. 
No entanto, nada ainda está bem esclarecido.


A ANVISA, com base em recomendação da OMS, desaconselha o uso de adoçantes à base de sacarina e ciclamato para pacientes hipertensos, em virtude da elevada concentração de sódio desses edulcorantes. 
Para pacientes diabéticos e/ou hipertensos, a literatura  sugere que os mais recomendados sejam os adoçantes à base de estévia, tendo em vista suas propriedades terapêuticas já citadas. 
De forma geral, o uso de adoçantes durante a gestação deve ser reservado para pacientes que precisam controlar o seu ganho de peso e para as diabéticas.

E, para finalizar, ainda baseada em dados da ANVISA, deixo essa "tabelinha" com a Ingestão Diária Aceitável (expressa em mg da substância/kg de massa corporal) dos edulcorantes mais populares, que é uma estimativa da quantidade máxima que uma substância pode ser ingerida por dia e durante toda a vida de uma pessoa, sem oferecer risco à saúde.

Edulcorante/ Dose (mg)



Sacarina/ 3,5 



Esteviosídeo/5,5 

Ciclamato/11 

Aspartame/40 


O cálculo para conhecer sua dose diária é bem simples.
Basta multiplicar o valor da dose para cada tipo de edulcorante apresentado na tabela pelo seu peso habitual em Kg.
Exemplo: para um indivíduo com 50 kg, a dose diária de esteviosídeo é 275 mg/dia (5,5 x 50).

Peço desculpas por me estender demais e mesmo assim ter ficado faltando informações. Quem ainda tiver dúvidas, ou sugestões, deixem nos comentários e eu faço um novo post!


6 comentários:

  1. Obrigada Gabriela!
    É sempre muito gratificante saber que vocês estão gostando.
    :)

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  2. Ótimo Cida!!!objetivo e de fácil entendimento para todos!

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  3. aspartame deve ser evitado aos que possuem intolerância a lactose?

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    1. Gabriela, o grande problema, com relação à lactose, é que é permitida sua utilização pela Legislação Brasileira, e todos os adoçantes dietéticos em forma de pó, produzidos no Brasil, contém lactose.
      Inclusive os que são à base de estévia.
      À princípio, EU recomendo que seja evitado.
      Em breve farei um post sobre intolerância à lactose e, então, discuto mais sobre este assunto.
      Obrigada pela dúvida!

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